Deste lado do espelho

Alice já mora aqui [caixa do correio: pais_da_alice@yahoo.com]

sábado, fevereiro 12, 2005

 

Breve filme do (glorioso) dia de ontem



07:45 - Este é o quarto 2.12 do Hospital CUF Descobertas, onde os pais ficaram de véspera, em preparação (física, a da mãe; psicológica, a dos dois) para o parto induzido, conversando muito e dormindo quase nada (o pai aproveitou ainda para reler, com entusiasmo febril e de um fôlego, a «Alice no País das Maravilhas» de Lewis Carroll).





08:10 - Depois de um pequeno-almoço comido à pressa, na cafetaria do hospital, o pai desentorpece as pernas, enche o peito de oxigénio e constata que paira no ar uma luz belíssima, muito leve, sinal de que tudo vai correr bem lá em cima, no segundo piso.





08:22 - Regresso ao quarto. É neste berço transparente que a Alice, dentro de umas horas, ficará a dormir.





08:46 - O CTG — aparelhómetro que mede e regista os sinais vitais da Alice, bem como a intensidade das contracções da mãe — está a trabalhar incansavelmente há quase dez horas (tenho a certeza de que o som ritmado dos batimentos cardíacos não nos sairá da cabeça por muitos dias).





09:25 - Começam, a sério, as contracções. Apesar das dores intensas, a mãe não chora, não grita, não faz cenas. O curso de preparação para o parto sempre serviu para alguma coisa (obrigado, Isabel).





09:30 - O obstetra decide acelerar as coisas, dizendo que o colo do útero já está permeável a três dedos. Ministrada através do soro, a oxitocina vai aumentar a frequência das contracções (e as dores). Uma hora mais tarde, entra uma médica que faz o catéter para a epidural. Cerca das onze da manhã, com seis centímetros de dilatação, chega a analgesia e a mãe pode, finalmente, respirar de alívio.





12:00 - A cabeça da Alice teima em não descer. A dilatação está completa. O obstetra faz tudo para evitar a cesariana. De repente, depois de uma descida brusca da bebé, o CTG regista duas bradicárdias (queda acentuada dos batimentos cardíacos). «Vamos já para a sala de partos», diz o médico. [Esta parte da história, por motivos óbvios, não tem imagens e será contada noutro post, quando as emoções estiverem menos à flor da pele.]





15:34 - A Alice nasceu há precisamente três horas. Pela primeira vez desde o parto, depois do recobro da mãe e do aquecimento preventivo da filha, as duas estão juntas, perto uma da outra, enquanto o pai se comove por tudo e por nada.





15:40 - O primeiro colo a sério, com tempo para admirar a delicada beleza da nossa filha.





15:43 - Olhem bem para esta cara. Vínculo parental? Já sei muitíssimo bem o que isso é.


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