Alice já mora aqui [caixa do correio: pais_da_alice@yahoo.com]
Pelo que percebi nas duas últimas semanas e nos nove meses que antecederam tudo isto, o gráfico de certezas e dúvidas de cada um altera-se, provavelmente sem retorno, com a chegada de um filho. Não é que se tenha mais dúvidas e menos certezas ou que a proporção se inverta, são coisas que nos aparecem claríssimas nas ideias e outras em que sentimos que avançamos sem saber se vamos ou não tropeçar em cada passo.
Até agora espero ainda pela longa noite de insónia e dúvida, como espero pela longa noite em que a Alice chorará inconsolável (pareceu-me que ia ser ontem, mas acabou por adormecer duas horas mais tarde e um pouco de leite depois). As certezas, essas parecem chegar devagar, impondo-se como evidências. A primeira que me apetece registar é a certeza que tenho de que será a Alice, desde cedo, a escolher quem é. Não quero que se mascare antes de poder escolher a sua própria fantasia. Não quero que seja mais ninguém antes de ela mesma. A Alice, minha filha, filha do pai, neta dos avós, mas antes de tudo, uma pessoa pequenina. Disto, tenho a certeza.