Deste lado do espelho

Alice já mora aqui [caixa do correio: pais_da_alice@yahoo.com]

quinta-feira, março 31, 2005

 

Por causa das coisas

Muito se tem discutido, por estes dias, a legitimidade dos pais publicarem imagens dos rebentos nos seus babyblogs. É uma matéria sensível, concordo, mas que se deve encarar com bom senso e não com os terrores jurídicos que para aí andam (visando apenas, parece-me, arrancar pela raiz o prazer de uma forma particular de blogar).
Em todo o caso, pela nossa parte decidimos manter este nosso canto como está: muito caseiro e quase clandestino, sem links feitos a partir de outros blogues (e respectivas visitas). Ou seja, não temos nada a esconder mas, por via das dúvidas, preferimos limitar o acesso aos nossos familiares e amigos, sobretudo aqueles que possuem, como nós, o cheiro do Lutsine (ou do Halibut) entranhado nos dedos.
 

Gato maltês

É verdade que nunca vamos ter uma Dinah ou uma Kitty. Para compensar a falta, houve quem já se oferecesse para emprestar uma gata - Miurka - a amadrinhar pela Alice. É preciso esperar que cresça e que saiba falar, eu não assumo compromissos dessa monta em nome da minha filha. Entretanto, vale-lhe um tio que sabe tocar piano e falar francês.

quarta-feira, março 30, 2005

 

Depois do passeio

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Incoerências familiares

De certo modo, foi nos bastidores do blogger que os pais da Alice se conheceram e se apaixonaram. Ainda assim, divergimos na utilização da ferramenta e no código de conduta. Para mim, é impensável postar intercaladamente no passado. Para o pai da Alice, é impossível haver um dia sem posts. A bem da autoridade parental, que a nossa filha não descubra esta dissonância.
 

Don't forget to scroll

O Pai da Alice, esse desnaturado, andou outra vez a actualizar para trás.
 

Sonos literalmente compridos

Investigadores americanos publicaram um trabalho (no Journal of Pediatric Orthopedics) segundo o qual 90% do crescimento dos ossos, em cordeiros bebés, se processa durante o sono. Além disso, os cientistas acreditam que estes resultados são extensíveis aos seres humanos.
Pela nossa parte, tendo em conta que a Alice dorme sete horas seguidas durante a noite e às vezes seis horas sem intervalo durante o dia, já nos começámos a preparar. Vêm aí de certeza sapatos n.º 44 e roupa XL. E quanto à profissão, acho que o dilema vai ser deste tipo: Los Angeles Lakers ou New York Knicks?
 

Quem é que dá banhinhos bons, quem é?

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É o Pai. Ai pois é.

terça-feira, março 29, 2005

 

4,220 kgs

A balança não mente. E assim volta tudo à normalidade. Isto é, à norma, à média, ao que era de esperar (mesmo segundo as tabelas ainda não actualizadas pela OMS). Os falsos problemas acabam sempre da mesma maneira: como se nunca tivessem existido. Arruma-se o assunto, suspira-se de alívio e segue-se em frente.

[Desta vez, a Alice foi pesada depois de mamar. Aumento de peso: 260 gramas. Isto é, para aí uns 180 gramas reais, que os outros 80 foram omitidos na pesagem anterior. Conclusão: mudam as circunstâncias, mudam as pesagens. Quod erat demonstrandum.]
 

Não vem nos livros...

... mas vem numa revista, a edição deste mês da Pais & Filhos. Estou a pensar seriamente em fotocopiar a pequena notícia e distribuí-la à saída do consultório do pediatra, pelas caixas de correio da geração anterior à nossa, espalhá-la por todos os cantos da casa.

Alerta da OMS: bebés são sobre-alimentados com leite em pó

Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) conclui que muitos bebés estão, nos países ocidentais, a ser sobre-alimentados com leite em pó, nos primeiros meses de vida. Esta situação deve-se, em parte, ao facto de as tabelas de crescimento que guiam os profissionais de saúde terem desvios em relação ao crescimento de um bebé amamentado. Estas tabelas são baseadas em estudos feitos com bebés alimentados a biberão há mais de 20 anos, e que sugeriam que o crescimento dos bebés amamentados não era adequado, pois estes ganhavam peso mais lentamente. Os bebés amamentados são mais altos e mais magros do que os bebés alimentados a biberão, mas isso é perfeitamente normal e saudável. Acontece que ao guiarem-se por tabelas que não têm essas diferenças em consideração, pais e profissionais de saúde tendem a sobre-alimentar os bebés. As mães são aconselhadas a suplementar a amamentação ou mesmo substituí-la pelo leite em pó. (...)

segunda-feira, março 28, 2005

 

A questão do peso

Na última semana, a Alice não aumentou os 200 gramas exigidos pelo pediatra, mas apenas 100. Acontece que as pesagens são feitas em condições variáveis de semana para semana: umas vezes logo depois de mamar, outras vezes antes. Serei só eu a ver aqui um erro crasso de metodologia? Como é que se pode estabelecer uma linha evolutiva do peso com base em pesagens não comparáveis? Eu acho que não se pode. Mas amanhã tiraremos as teimas.

domingo, março 27, 2005

 

Ponto de vista

As lombadas fascinam a Alice, desperta, nas visitas à sala, com direito a sofá próprio. Nada mau, para começo.
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Mês e meio

Ao fim de seis semanas, a Alice ainda não nos deu um único susto. Nada. Nem sequer uma constipação ou uma pontinha de febre. Por outro lado, ouvimos histórias de amigos cujos filhos passam noites nas urgências, histórias de bebés internados dias a fio por não conseguirem respirar, histórias de infecções que obrigam a exames complexos. Damos valor à nossa sorte (porque é também de sorte que se trata), sabendo que um dia o sobressalto baterá inevitavelmente à nossa porta. Mas que esse dia venha longe e que ao chegar, se chegar, seja brando.

sábado, março 26, 2005

 

Adeus Kitty, adeus Dinah

Nunca teremos um gato. O pai da Alice é alérgico.

 

Dedos

Os dedos dela em volta dos meu dedo indicador. O doce aperto. Uma certeza: a segurança dela é a minha felicidade. Tão simples como isto.

sexta-feira, março 25, 2005

 

Retro

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Alice veste um modelo exclusivo de casaco de malha, tricotado pela sua bisavó, especialmente para a sua mãe, há cerca de vinte e sete anos.

quinta-feira, março 24, 2005

 

Camisolas de lã a caminho da máquina

Quando olho para os ombros sujos das minhas camisolas, percebo que também há um sentido literal para a expressão pai babado.
 

Bênçãos divinas

Aqui no bairro, todas as velhotas com que nos cruzamos se inclinam sobre o bebé, todas as velhotas sorriem muito perante esta «coisa tão pequenina», todas as velhotas se espantam de a ver ao colo do pai (dentro do marsúpio), todas as velhotas gritam «muita saúde» e «Deus a abençoe».
A verdade é que a Alice ainda não teve a mínima doença, é robusta, come bem, dorme melhor. Em louvor das velhotas do meu bairro, de vez em quando olho para cima e, pelo sim pelo não, agradeço.

quarta-feira, março 23, 2005

 

O que me apetecia mesmo

Vir por aqui, ver este verde todo, como no ano passado, seguir as nuvens e chegar lá.

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Sinais do crescimento

Ontem, na sala de espera, estavam dois bebés que vinham à primeira consulta das suas vidas. Ainda há um mês a Alice era assim, incomparavelmente pequena.
 

Dúvidas de peso

O pediatra continua a obrigar-nos a atravessar a cidade uma vez por semana, a aguardar quase uma hora na sala de espera e a respeitar um horário medido ao minuto, para fazer uma coisa que podia ser feita a dois passos de casa: despir a Alice e entregá-la à enfermeira que a pesa. Lá vamos nós os três, a pensar que desta vez não desmoralizamos, que não vai demorar nada, que a seguir ainda vamos as duas à ginástica e o pai ainda vai trabalhar. Quando olhamos para o relógio, constatamos que saímos de casa logo a seguir ao almoço e voltámos mesmo antes da hora de jantar, depois de termos cruzado mais outra vez a cidade e deixado o pai extra-zeloso no emprego.

Olho para a Alice a dormir e parece-me bem. Acordada, melhor ainda. O pediatra não a vê. Faz-nos entrar outra vez no consultório, depois de a enfermeira ter confirmado que os cem gramas que a Alice trazia a mais desde a última vez não eram suficientes. Depois de termos esperado mais uma hora na sala de espera, entramos para o questionário: quantas vezes mama por dia, quanto duram os intervalos entre refeições, a mãe tem leite suficiente. Somos três, o médico ignora os dois que estão ao meu lado. Pela primeira vez, não fui obrigada a mostrar que ambas sabemos bem como é que se come e como é que se dá de comer a um bebé de um mês.

Saímos depois de termos respondido a tudo e termos feito duas ou três perguntas. Sabemos só que há qualquer coisa nos números que não confirma a realidade que vivemos todos os dias. Não adianta dizer que foi pesada mesmo antes de comer. Não adianta querer perceber se o que se passa pode ser grave ou é apenas normal. Não adianta ficar a pensar no leite que se calhar não é bom, lembrar-me que não como nada de jeito desde domingo, saber que quando me incomodo faço (literalmente) das tripas coração.

Tenho a certeza de que sei mais do que as respostas que o médico não me dá a escolher. Tenho a sensação de que estou num concurso televisivo e que as perguntas dos cartões não correspondem às hipóteses possíveis.
 

Are you talking to me?

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terça-feira, março 22, 2005

 

Dia do pai

No sábado passado, saí de casa para comprar o jornal, voltei com o Expresso, o Público, dois lírios brancos e um roxo. Quem nos perguntou se a Alice tinha oferecido flores ao pai teve que reformular a questão e ouvir mais do que uma vez: foi a mãe da Alice quem escolheu as flores para o pai da Alice, foi a mãe da Alice quem lhos ofereceu. No próximo ano iremos talvez juntas às compras e talvez a Alice possa apontar, ajudando a escolher um presente para o pai. Ou talvez eu ache que nada disso faz sentido, espere que ela cresça e faça um desenho. No sábado passado, fui eu quem ofereceu três lírios ao pai da Alice. Fui eu que descobri há pouco mais de um mês, logo na primeira noite, que além do pai maravilhado que eu esperava, havia um maravilhoso pai que me surpreendia.
 

Justificação de faltas

Motivo: dores de barriga. Minhas, não da Alice. Começo a perceber a irritação dos bebés que sofrem de cólicas.

segunda-feira, março 21, 2005

 

Gracinha

Desde que aprendeu a virar a cabeça para um lado e para o outro, a Alice não quer outra coisa. Vira para cá, vira para lá, vira para cá, vira para lá, vira para cá, vira para lá. Como se fosse o Stevie Wonder (salvo seja).

domingo, março 20, 2005

 

Encontro (2)

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Ontem, ao fim da tarde, a Maria veio visitar a Alice. E foi uma festa.
 

Não é defeito, é feitio

Às vezes, o pai da Alice gosta de actualizar o blogue "para trás". Uma mania lá dele. Pelo sim pelo não, a gerência aconselha o uso regular do botão de scroll.

sábado, março 19, 2005

 

Orgulho melómano

Cantei-lhe uma canção de Schubert (embora com letra aldrabada em português: sorry, Franz) e ela parou de chorar.
 

Saberes ancestrais

Na hora do banho, quando é necessário medir a temperatura da água, nenhum termómetro consegue ser tão preciso como o cotovelo humano.
 

Três lírios

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O meu primeiro dia do pai (enquanto pai) cheirou a flores.

sexta-feira, março 18, 2005

 

Errata

Há precisamente oito dias, sugeri aqui a leitura de uma entrevista dada pelo pediatra Gomes-Pedro ao DNA e feita pela jornalista Paula Oliveira (que daria à luz um rapaz, julgava eu, naquele mesmo dia). Afinal, saiu-me tudo ao contrário. O filho da Paula nasceu duas semanas antes e a entrevista só foi publicada hoje, uma semana depois. Ficam as minhas desculpas de pai distraído e a reafirmação de que vale mesmo a pena ler a tal conversa sobre bebés de que acabámos por fazer, involuntariamente, uma pré-publicação.
 

Não vem nos livros...

... mas devia vir. A BCG, a vacina que nos deixa uma marca no braço, é administrada ainda na maternidade e o local da pica pode reagir cerca de um mês depois. Reagir é pouco, «revoltar-se violentamente» seria mais adequado se pudesse ser uma expressão médica. Quando o pediatra a viu — na segunda-feira, a marca ainda era uma pequena mancha vermelha — disse-nos que a vigiássemos. Podia ter-nos dito que era normal que ficasse muito feia, que não nos assustássemos se rebentasse e sujasse a roupa, transformando-se numa imensa cratera. Podia ter-nos dito que era esta a resposta normal do sistema imunitário do bebé.

quinta-feira, março 17, 2005

 

Intermitências

Nos últimos dias, o pai da Alice tem escrito pouco por estes lados. Não levem a mal. Houve o regresso ao trabalho (e as saudades durante o dia, terríveis), houve vários compromissos com hora marcada e preparação exigente, houve assuntos inadiáveis para resolver, houve leituras obrigatórias, houve escritas obrigatórias, houve uma tradução cheia de notas de rodapé e emendas em cima da deadline, etc., etc., etc. Em suma: houve o regresso à vida activa, com todas as limitações que ela implica. E no limite, entre estar mais uns minutos a olhar para a Alice, falar com ela, vê-la dormir, mudar-lhe as fraldas, aconchegá-la no berço ou, em vez disso, escrever um post, a escolha só podia ser uma.
 

Pri-ma-ve-ra

Tenho a certeza de que falarei muito aqui da minha escola. Pelo menos, falarei muito da minha escola à Alice. Andei na mesma escola dez anos: entrei lá com três meses e saí de lá para a C+S do bairro. Tenho amigos - pessoas que lêem este blogue e tudo - desde dessa altura. Na primária, tivemos um professor com quem ainda trocamos e-mails e divertimo-nos à brava. Entre milhares de recordações, guardo a do ano em que fomos para rua comemorar a chegada da primavera e plantar flores de papel. Hoje, ouvi as nossas vozes ao longe, a ecoar pela Estrada de Benfica, «a CEBE gosta da Pri-ma-ve-ra».

quarta-feira, março 16, 2005

 

Pirâmide invertida

O grau de envelhecimento de população de um bairro não se vê só pelos olhares espantados perante meio metro de gente metido dentro de um marsúpio. Vê-se pela quantidade de artigos de puericultura disponíveis nas farmácias. Chupetas anatómicas, só por encomenda.
 

Os bebés, unidos, jamais serão vencidos! Os bebés, unidos, jamais serão vencidos!

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Sem linques

Há mais blogues como o nosso, que não são para andar a lincar por aí. Resta-nos o copy paste desta sensata e exaustiva lista de regras, elaborada por uma mãe recente que tem estado sempre do lado de lá do ecrã ou do fio do telefone (se os nossos telefones ainda tivessem fios). Muito obrigada por tudo, mãe da Maria.

Regras quando nasce um bebé da nossa família ou de um amigo:

Regra nº 1 - Não desatar a correr para o Hospital mal se sabe que o bebé vai nascer.

Regra nº 2 - A ter de ir ao Hospital, esperar pelo dia seguinte. A mãe está cansada, o bebé atarantado, o pai exausto.

Regra nº 3 - Em visita ao bebé, não querer pegar. Mesmo que esteja acordado, só o devemos fazer se a mãe demonstrar abertura para tal. (Existe aquela ideia de que os nenucos e os bebés são mais ou menos a mesma coisa. Garanto que não corresponde à realidade. Os nenucos fingem chorar, os bebés incomodam-se a sério).

Regra nº 4 - Quando se faz a visita já em casa, telefonar antes e ter a certeza que é conveniente. Ah! E não aparecer a hora de refeições, de preferência.

Regra nº 5 - As visitas em casa não devem demorar mais do que uma hora. A nova família está ainda em adaptação.

Regra nº 6 - Não dar opiniões sem que lhes sejam pedidas. Nem ao pai, nem à mãe. Eles é que sabem. Mesmo que pareça que não.

Regra nº 7 - Nunca duvidar do papel do pai enquanto tal. Enerva a mãe, baralha o pai.

Regra nº 8 - Não discutir política junto ao berço do bebé. É melhor a sala de estar.

Regra nº 9 - Não emitir sons agudos enquanto se fala com o bebé. É um facto que ele ainda não percebe muita coisa, mas o tom só piora.

Regra nº 10 - Nunca usar um diminutivo de nome que os pais não usem. Ou uma alternativa por não se gostar do nome escolhido. Ofende os pais.

Regra nº 11 - Não fazer comentários ao aspecto físico da mãe. Só piora a situação.

Regra nº 12 - Não invadir a divisão onde a mãe amamenta. E muito menos espreitar para o decote.

Regra nº 13 - Não insistir nas parecenças do bebé com a tia que também é prima e que tem aquele olhar. É cansativo.

Aceitam-se mais regras. As mães (e os pais) agradecem.

terça-feira, março 15, 2005

 

Aqui não somos tontos

Criança que não se ri ao mês ou é tonta ou é-o quem a fez.
 

Questionário médico

- Costumam encontrá-la noutra posição depois de a deitarem de lado?
- Sim.

- Fica longos períodos acordada e em silêncio no berço?
- Sim.

- Assusta-se com sons inesperados?
- Sim.

- Segue sons ou vozes?
- Sim.

- Se lhe derem um dedo, agarra-o?
- Sim.

- Quando deitada de bruços tenta levantar a cabeça?
- Sim.

- Já começou a sorrir?
- Sim.

- Ao falarem com ela, escuta-os com um ar atento?
- Sim.

- E tenta responder?
- ...

Ó senhor doutor, a Alice completou ontem trinta dias de vida!

segunda-feira, março 14, 2005

 

Mixed feelings

É verdade que não gosto de amamentar a minha filha em público. É verdade também que não me importo que outras pessoas (nem todas) vejam como somos nesse momento. É verdade que às vezes me aborreço: ao fim de um dia são mais de três horas inteiras passadas nisto, mesmo que a Alice me observe atentamente e a sua mão segure a minha como as palavras não sabem contar. É verdade que não gosto de fazer sala com a maminha de fora.

Mostramos aos outros o nosso quarto, mas não é lá que servimos o chá.
 

O meu calcanhar é o teu

Até agora ainda não ouvi nada que me irritasse mais do que duvidarem do desempenho do pai da Alice enquanto tal.
 

Foi você que pediu uma menina vestida de cor-de-rosa?

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Anotações pediátricas

Peso: 3,850 Kgs
Comprimento: 53 cms
Perímetro cefálico: 36,5 cms
Percentil: 50

Tudo no sítio, tudo como deve ser.

domingo, março 13, 2005

 

Uma árvore enviada pelo avô António

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Coming of age

A partir de hoje, a Alice já não é recém-nascida.

sábado, março 12, 2005

 

Avaliações

Soube ontem que nos portámos todos muito bem cá em casa no mês que passou. Sempre me intrigou nas notas dos trabalhos de grupo não saber se é justo o valor da minha parte.
 

Banda sonora



Todos os dias, à hora do banho, a música de Beethoven espalha-se pelo quarto. Os três primeiros quartetos op. 18, ouvidos uma e outra vez, já fazem parte da rotina. São a banda sonora ideal para aqueles breves minutos de alegria aquática.
 

Não vem nos livros...

... e foi a minha mãe, avó da Alice, que mo disse, enquanto me passava a mão pelo ombro: «sabemos que uma pessoa é mãe quando tem baba na roupa». Em sítios onde não chega com a boca, acrescento eu.

sexta-feira, março 11, 2005

 

Há um ano

Era quinta-feira, eu estava de folga do trabalho na livraria dos subúrbios e era o dia em que saía no jornal o texto do pai da Alice, por isso dormimos até mais tarde, no rés-do-chão alto junto à Praça do Chile. Acordámos com um telefonema de Espanha. A minha mãe dizia-nos que não nos preocupássemos com as notícias, que estava tudo bem com ela, que o atentado, um grande atentado, tinha sido em Madrid. Depois disse que tinha sido muito complicado, que tinha morrido muita gente, que o país inteiro estava em choque. Ligámos a televisão, ou o rádio, não me lembro agora, e chocámo-nos, também nós, com o que se passava na capital ao lado.

Há um ano não sabia que íamos sair daquela casa e morar em mais outra ainda antes desta, eu não sabia que ia sair daquele emprego e estar em mais outro antes da licença de maternidade. Há um ano, não sabíamos que dali a um ano a Alice faria um mês.

O choro desconsolado da Alice interrompeu o meu post. Deve querer comer outra vez. Não sabe que nasceu hoje um bebé chamado Gil. Não sabe o que se passou no ano passado numa estação de comboios em Madrid. Não sabemos as duas o que se passará daqui a um ano.
 

Memória visual do primeiro dia

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Quatro semanas, um mês

O pequeno acaso de ter nascido num Fevereiro não bissexto faz com que a Alice comemore o primeiro mês no dia em que completa as quatro semanas de vida. No entanto, só deixa de ser um recém-nascido quando se contarem trinta dias cá fora, isto é, no próximo domingo. A família agradece as felicitações aos jovens pais e aos recentes avós que se lembraram ao olhar para o calendário.
 

Diria Alice ao mundo

Se falasse, é bem possível que dissesse: «sou uma rapariga, a minha mãe é que gosta muito de azul, tenho um avô que é adepto do FCP e herdei muitos fatos de um Afonso».
 

Do not disturb

Ainda não colámos no carro o autocolante a avisar que ali pode viajar um bebé. Na verdade, parece-me escusado: não imagino os condutores lisboetas a serem mais benevolentes com os veículos assinalados (só mesmo o pai da Alice, para lhes dar prioridade). Achava bem mais útil um aviso para colocar junto à campainha, na porta do prédio. Quatro em cada seis vezes que tocam para aqui não é realmente para nós, mas para a nossa caixa de correio. Entretanto, sonho com um babygrow como este.


 

Palavras de pediatra

No suplemento DNA de hoje, dia 11, há uma entrevista que todos os pais (sobretudo os recentes) deviam ler. Foi feita pela Paula Oliveira — uma jornalista que vai ter hoje, nem de propósito, o seu segundo filho — ao pediatra João Carlos Gomes-Pedro, professor catedrático e director do Serviço de Pediatria no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
Seguidor de Brazelton, o médico defende a importância da avaliação neuro-comportamental dos bebés. Ou seja, uma prática clínica que integra os pais na esfera do bem-estar dos filhos e consegue ir, por isso mesmo, muito além do mero diagnóstico tradicional das doenças.
Eis algumas das suas afirmações:

«O meu primeiro papel de receita dizia "médico de doenças das crianças". Depois pus "Pediatra", depois "Saúde Infantil", depois "Desenvolvimento Infantil" e hoje ponho "Pediatra", porque o pediatra é tudo. O pediatra é o bom médico que não deixa escapar uma anomalia do coração ou da anca…»

«Nós [os pediatras] sabemos umas coisas e eles [os pais] sabem outras. E se nós partilharmos os nossos saberes e aplicarmos os nossos saberes em conjunto na descoberta de cada bebé, temos resultados fabulosos. O nosso propósito é, de facto, caminharmos juntos numa coisa fantástica que é descobrir um mistério – o mistério que é cada pessoa»

«Costumo dizer que, entre as várias coisas que não me ensinaram, também me ensinaram mentiras: a primeira mentira que me ensinaram é que o pediatra era o médico das crianças. Não é! O pediatra é o médico da criança, mas também da mãe, do pai, do avô, da avó, dos irmãos e de todos aqueles que convivem com o bebé…»

«O que o bebé faz é trabalhar, trabalhar… Desorganiza-se, digamos assim, quando começa a olhar para um cubo, quando começa a pôr-se de pé, quando dá os primeiros passos… E depois estabiliza, estabiliza, reorganiza-se, reorganiza-se… E depois envolve-se em tarefas que são proporcionadas pelo seu sistema nervoso central, para novas descobertas, para novas conquistas, para novas etapas… O subir escadas, o descer escadas – tudo isso são grandes factores de desorganização. Para lhe dar um exemplo: o primeiro grande factor de desorganização são as cólicas. Quem é que não conhece as cólicas do bebé? E ainda perguntam os pais, dê-me remédio para as cólicas, dê-me gotas… E quem não tem este modelo dos «Touch Points» na cabeça, que a um processo de desorganização se segue obrigatoriamente uma estabilização, quem não entende isto é tentado a dar umas gotas milagrosas para resolver as cólicas de cada bebé.»

O resto? Bom, o resto é para ser lido em papel de jornal.

quinta-feira, março 10, 2005

 

Babygrow

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O babygrow enumera, em francês, parecenças do bebé com outros elementos da família: os cabelos do avô, as orelhas do tio, o nariz do pai, as mãos da mãe, etc. Mas a realidade, felizmente, não permite definições tão claras nem tantas certezas.
 

Incoerências

O pai da Alice é que deu por ela. Eu, que gosto tanto de coisas pirosas espalhadas pela casa e pelos desktops de computadores, temo a cada palavra a piroseira na escrita. A maior parte das vezes, não lhe escapo. Fiquem os incautos avisados: este é um blogue sentimental, aqui fala-se dos amores.

quarta-feira, março 09, 2005

 

Primeiras vezes

O dia que agora finda, com resmungos de cansaço especialmente chorados para o encerramento, foi importante: de manhã, a família completa foi pela primeira vez ao café, ao mesmo tempo. E, também pela primeira vez, a Alice foi cúmplice na desobediência descarada (às indicações do pediatra).
 

As visitas

Há três levas de avós que nos entram em casa, em dias alternados, nas mesmas tardes, com desfazamento de cinco minutos ou em simultâneo. Gostamos que cá venham, que tragam o jantar, que estendam a roupa molhada e esquecida na máquina, que fiquem a contemplar a neta enquanto os pais saem para namorar ou abastecer a casa no supermercado do bairro ao lado, que apanhem a roupa seca e esquecida no arame. Mas gostamos também dos amigos que passam por aqui, que trazem flores e vêm olhar espantados para a Alice, que se lembram do peso dos seus próprios filhos, enormes agora, por comparação. Os amigos que foram pais há pouco tempo trazem conselhos, acessórios úteis, perguntam cinco vezes se nos dá jeito antes de aparecerem, mandam sms a saber se está tudo bem. Às vezes trazem outros bebés. Os amigos que ainda não foram pais admiram-se com o tamanho da pequena Alice e às vezes falam um bocadinho alto. Gostamos que subam, ofegantes, os três andares do prédio, que perguntem, antes de entrar, «que ideia foi essa de morarem tão alto» e que se esqueçam disso enquanto tomamos chá e comemos biscoitos com o ruído do intercomunicador a sobrepôr-se ao disco que o pai da Alice pôs a tocar, as luzes da ponte, colar ténue, ao fundo da janela, ao fundo da sala. Contamos mais uma vez a história do parto, falamos do blogue secreto, comovemo-nos sem dizer porque não sabemos explicar as mudanças ínfimas em tudo, a cada dia. Gostamos tanto que às vezes nos esquecemos de que a Alice está ali no quarto ao lado, a dormir serenamente, e que podia estar na sala connosco, a mostrar-se a quem a veio ver.

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Da concepção

Durante quase nove meses, com especial incidência nas primeiras semanas após a confirmação, havia pessoas que me perguntavam, depois das felicitações, se o filho que trazia na barriga estava nos nossos planos. Entre mãe e filho (e pai e filha, claro) do que se trata, antes de tudo o resto, é de paixão, amor incondicional. Ora, nas histórias de amor, é irrelevante o que veio antes. Não há antes. Nunca ninguém ousou perguntar-me se planeava apaixonar-me pelo pai da Alice quando, às cegas, o conheci. Era bonito que o mesmo decoro resguardasse a poesia que está nas entrelinhas deste outro amor.
 

Questões de gramática neonatal

No outro dia a mãe da Alice virou-se para mim, logo depois da mamada, e perguntou:

«Queres arrotá-la?»

Eis uma das consequências de ter um filho: sentimo-nos capazes de tudo (até de reinventar a língua).

E sim, eu quis arrotá-la. Quero sempre.

terça-feira, março 08, 2005

 

Do que nós nos livrámos


 

«Quem faz o natal são os amigos»

Era assim o Jingle Bells que a minha mãe desafinava lá por casa na época festiva. Mais tarde, com o pai da Alice, conheci a fonte do refrão, «O Natal dos Operários», um álbum infantil (elepê, como diria este senhor), muito politicamente datado, à boa maneira do PREC. A verdade é que aquela coisa dos amigos serem a festa que é a da família sempre me fez sentido. Como sempre me fez sentido abrir os presentes à frente de quem mos oferece, seja dia 22 de Junho ou 24 de Dezembro. A família, um rol imenso de primos-irmãos, segundos, terceiros e em quarto grau, os tios todos, os avós lá na terra deles (muito depois do tempo em que corriam para Lisboa a cada achaque ou pequena celebração), toda a família começou a parecer-me equidistante de uma data de outras pessoas, com outros apelidos, que iam lá a casa muito mais vezes, que sabiam melhor quem eu era.

Há muitas vezes um profundo abismo que separa o mundo daqueles que nos conhecem desde sempre, mesmo que não saibam bem quem somos, do universo dos que conhecemos há pouco, mas a quem confessamos os vícios e mostramos as vísceras. Gostava muito que as autoras destes posts fizessem também os natais da Alice. Oxalá estejamos todas de acordo nisso.

segunda-feira, março 07, 2005

 

Ai há coincidências, há

De regresso ao trabalho (sim, as duas semanas de férias pós-parto já acabaram), encontro em cima da mesa a tradução portuguesa deste romance de Lisa Dierbeck:



E qual foi o título escolhido pela editora Teorema? Nem mais nem menos do que «Alice Deste Lado do Espelho»...

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