Alice já mora aqui [caixa do correio: pais_da_alice@yahoo.com]
Na recta final da gravidez trabalhei exclusivamente em casa. É o que faço desde há pouco mais de um mês. Primeiro devagarinho, depois mais efusivamente, à medida que a Alice vai deixando. Não digo que seja uma sorte porque o trabalho que vou fazendo não é propriamente invejável. As transcrições de cassetes*, as revisões de texto e os telefonemas avulsos que me ocupam os tempos livres fazem-me sentir entre a mulher-a-dias da escrita e o servente das palavras. Não é fácil trabalhar em casa porque todas as horas podem ser horas de trabalho, não há cartão de ponto, mas há prazos a cumprir e pessoas que dependem quase vitalmente das minhas pequenas tarefas. São mais as vezes em que as semanas não têm fim do que os feriados desencontrados do resto do mundo. São as horas que passo no escritório ao fundo da casa e as rodas do berço da Alice que nos vão permitir adiar por mais um ano a entrada numa escola. Por enquanto, adiamos apenas os passeios ao sol.
* consistem na audição de conversas e uso simultâneo do teclado do computador.