A verdade é esta: ando há vários dias com uma dor persistente no pulso esquerdo. Nada de muito grave, nem sequer uma ameaça de tendinite. Apenas um ligeiro desconforto. Tendo eliminado várias explicações possíveis para a maleita (não andei a carregar pesos, por exemplo; nem estive demasiadas horas em frente do computador), lembrei-me que é no braço esquerdo que costumo apoiar o rabinho da menina Alice, quando calha andar com ela ao colo. Eis a prova do que eu já suspeitava. Se a nossa bebé era um peso-pluma nas primeiras semanas, agora é cada vez mais peso e menos pluma.
Há precisamente dois anos, o pai da Alice almoçou num restaurante chinês com a mãe da Alice, depois de cinco dias de e-mails, noites mal dormidas, expectativa. Tudo nos atrapalhava: as palavras, os gestos, a proximidade do amor. À saída, começou a chover. Mas não é disso que me lembro agora.
Quando o odioso Jean-Marie Le Pen apareceu no ecrã da TV, tentando abarbatar-se com uma vitória que não é sua (a do «Não» no referendo francês ao Tratado Constitucional europeu), a Alice começou a choramingar. Compreensível, pensei. Depois fui ver a fralda e lá estava um enorme cocó. Ainda mais compreensível, pensei.
Marca geracional (remetendo para um post antigo do Pedro Mexia)
Dos numerosos petit noms que chamamos à nossa filha (alguns deles impublicáveis de tão ternurentamente ridículos), há um que nem todas as pessoas com mais de 45 anos compreenderão: zuvizevanovi.
Pequenas bolhas de saliva que saem inesteticamente da boca? Talvez. Mas, no caso da Alice, essas pequenas bolhas de saliva que saem inesteticamente da boca são outra coisa: uma forma superior de comunicação.
O Chapeleiro foi o primeiro a quebrar o silêncio. - Em que dia do mês estamos? - perguntou, voltando-se para Alice. Puxara do bolso o relógio, e olhava para ele inquieto, agitando-o de vez em quando, e chegando-o ao ouvido. Alice reflectiu um instante, e depois respondeu. - A vinte e cinco*. - Dois dias de atraso! - suspirou o Chapeleiro. - Eu bem te disse que a manteiga não lhe fazia bem à corda! - acrescentou, fitando furioso a Lebre de Março. - Era manteiga da melhor - retorquiu a Lebre timidamente. - Pois, mas se calhar houve algumas migalhas à mistura - resmungou o Chapeleiro. - Não o devias ter barrado com a faca do pão. A Lebre de Março pegou no relógio e olhou-o pesarosa. Depois, mergulhou-o na sua chávena de chá, e tornou a olhar para ele. Mas não lhe ocorreu nada melhor para dizer senão o seu primeiro comentário.
* quatro, no original
Alice no País das Maravilhas, Lewis Carrol (traduzido por Margarida Vale do Gato para a Relógio d' Água, 2000)
Foi no fatídico dia de quarta-feira, depois do Sporting ter perdido de vez a esperança de levar para casa algum troféu que se visse. Começou por fazê-lo com todos os dedos de uma mão postos dentro da boca, depois só com alguns, às vezes sem nenhum. Concentra-se, faz cara séria, olha para nós, e dá pequenos gritinhos. Há sons intencionais além do choro e do ténue arrulhar a que já nos tínhamos habituado.
Pode vir a ser útil, quando começarem as perguntas, este A INVENÇÃO DAS CLARABÓIAS
No princípio, aprenderam a ter medo e protegeram-se. Construíram casas de pedra e lama, pequenos refúgios onde não tardaram a sentir-se cada vez mais sós.
Sonharam que, um dia, um feixe de luz haveria de afagá-los. E, fascinados pelo céu, desenharam óculos pelos telhados.
Tiveram, desde logo, a companhia das estrelas. Hoje os deuses ainda passam os olhos pelas suas casas Todas as noites, antes de adormecerem.
da autora citada no post abaixo, n'A Casa e o Cheiro dos Livros, Quetzal, Lisboa, 1996
Nestes dias fomos até Vila do Conde - o pai da Alice participava num encontro que era sobre tradução mas que afinal se chamava "de poetas". A Alice conheceu um primo mais novo que ela e deu-se a conhecer a uma boa parte de todos os outros primos com sotaque. No fim de tudo, deixou a mãe ouvir uns versos do Pedro Mexia e da Maria do Rosário Pedreira, lidos pelos próprios. Ao colo do pai, a Alice ouviu também a "Paráfrase" do Em Memória do Pedro e o poema que fala sobre a mãe da Maria do Rosário. Mas do que gostei mesmo foi quando esta senhora que costura sempre as palavras certas em versos compridos olhou para o bebé adormecido no carrinho e nos achou parecidas. Foram demasiados os dias em que me pareceu que a tinha trazido na barriga para outros a verem ao espelho.
Numa passagem rápida pelo Porto, a Alice foi ver o edifício de que tanto se falou nos últimos anos. Mas, como se pode comprovar, desta vez ficou pelas escadas.
Um dia viremos com mais calma e andaremos os três lá por dentro, a ouvir os concertos barrocos de que o pai da Alice tanto gosta (mas não ópera, pelos motivos conhecidos). Por agora, fomos apenas apreciadores de arquitectura. E um reflexo fugaz que depressa se extinguiu na manhã coberta de nuvens negras.
Menti. Qualquer coisa muda irreversivelmente quando a nossa vida social é determinada por cinco quilos de gente. A agenda da Alice tem mais marcações em falta que a súbita enchente de convites que nos roubam o pai de casa. E para onde vai a filha tem que ir a mãe atrás, com maminhas, colo especial para choros súbitos, uma muda de roupa e fraldas extra.
Perguntaram-me de longe o que tinha mudado. Acho que quase nada, além de tudo. A única coisa de que me lembro é que não posso bater com as portas: a Alice é muito sensível a pequenos estrondos.
- Estes olhos, assim meio rasgados, a quem é que os terá ido buscar? - Achas que são parecidos com os de alguém da tua família? - Não... - Da minha? - Mais ou menos. Acho-os parecidos com os da tua ex-mulher.
Eu sempre suspeitei que os desenhos de animais nas fraldas descartáveis eram dirigidos aos progenitores e não aos filhos. Afinal de contas, é pouco provável que os bebés, deitados de barriga para cima, consigam perceber se o bicho que lhes coube em sorte (após mais uma higiénica mudança da casa-de-banho ambulante) é um cão, um urso ou um koala. Pelo que me contaram, a bonecada cumpre um objectivo bastante prosaico: ajudar os pais a alinhar os autocolantes, durante o fecho da fralda. Mas eu gosto de pensar que os fabricantes também pretenderam, com o recurso à fauna estilizada, reduzir a extraordinária monotonia da função (digamos assim). Agora, em vez de nos perguntarmos apenas se há muito ou pouco cocó (e de que cores) ou muito ou pouco chichi, também podemos especular sobre a natureza animal da próxima Dodot. O que é que vai sair desta vez, Alice? Será o gato ou o leão?
Ou o pai da Alice está de férias e andamos a pôr a vida social e familiar em dia: gozarmo-nos de sermos três, a apresentar a Alice ao mar e a primos novos. Ou a mãe da Alice continua semi-fechada em casa, a dormir até tarde para recuperar do fim-de-semana ou das férias anteriores, a espreitar os blogues e o monte de cassetes que tem para ouvir com vozes fininhas, a velocidade acelerada, amanhã.
Que mania esta agora dos blogues não terem uma caixa de correio para os elogios privados. Quando acabar a minha licença de maternidade (vai acabar algum dia?) quero escrever quase assim.
Sim, adverte-se o leitor que a mãe da Alice vai fazendo deste canto também o seu blogue pessoal. Como se dizia lá na escola, antes de se chutar para ar: "não aviso cabeças!" Boa noite, especialmente para si.
Então não é que no mês em que a Alice nasceu (Fevereiro), o site A Month of Softies, uma espécie de mega-craftsblog temático, propôs, como inspiração para os seus colaboradores, os dois livros mais conhecidos de Lewis Carroll? Pois é. Enquanto a nossa Alice ainda estava na barriga já muito grande, enquanto nascia no segundo piso do Hospital CUF Descobertas, enquanto aprendíamos a cuidar dela na maternidade, enquanto descobríamos (já em casa) as rotinas de uma vida a três, houve dezenas de pessoas a reinventarem, com tecidos, tesouras e agulhas, as várias personagens dos clássicos «Alice no País das Maravilhas» e «Alice do Outro Lado do Espelho». Eis alguns dos trabalhos seleccionados de que mais gostei:
A Alice chorou. A mãe garante que foi de fome, logo saciada. Eu juro que foi de raiva (contra o Peseiro, o Ricardo, etc.) e solidariedade para com o pai subitamente cabisbaixo.
O primeiro sorriso pode ter sido para a mãe, entre dois golos de leite, mas o pai eufórico já deu conta que foi ele mesmo quem provocou a primeira risada, ainda tímida, com a produção de sons estranhos (acompanhados por esgares inéditos que até a um adulto faziam - e fizeram mesmo - rir até às lágrimas). Com poucas horas de vida, a voz da tia Miryam, que falou com a Alice em francês, calou um ataque de choro, talvez o primeiro a sério. Hoje descobrimos que além do inglês do tio-avô do Canadá e da filha que o acompanhou, a Alice se delicia com umas palavrinhas em japonês. De resto, foi a custo que os pequenos olhos do bebé se desviaram dos olhos semi-rasgados desta prima, numa longa conversa que não precisou nunca de tradução.
No sábado passado tivemos a honra de participar num coro de aniversário surpreendentemente afinado. Dei comigo a pensar que a adolescência acaba de vez quando não há vozes dissonantes a recomeçar, em loop, a cantilena.
Ou seja, continua a progredir ao ritmo dela (cada bebé tem o seu) e mantendo as curvas de crescimento. Além disso, o tónus muscular é excelente e a forma como sustém a cabeça, quando deitada de barriga para baixo, impressionou visivelmente aquela distinta representante da classe médica. Enfim, tudo OK e até à próxima. Voltamos ao consultório só daqui a dois meses.
A Mãe da Alice considera que os títulos que o Pai da Alice escolhe para os posts com fotografias são demasiado longos mas ele (o Pai) não concorda
O título deste post, por exemplo, devia ser assim:
Eu sei que a Mãe da Alice não gosta de títulos compridos mas é preciso um título comprido para chamar a atenção, com o destaque que ele merece, para o facto desta fotografia revelar ao mundo o contorno absolutamente perfeito, delicioso e quase microscópico dos dedinhos do pé da minha maravilhosa filhota
Mais vos digo que gostava de ter sido escritor no século XVIII, época como deve ser em que os títulos (para mal dos editores e dos "designers gráficos" da altura) se mediam realmente aos palmos.
Logo depois da gargalhadinha sonora que deixou os pais em êxtase, gargalhadinha provocada pelo festival de sons escanificobéticos (e respectivos esgares amalucados) que o elemento masculino da dupla parental prodigalizou durante vários minutos, a Alice, em vez de mergulhar num sono profundo e retemperador, brindou os progenitores com uma sessão XL de choro, cólicas, andar de lá para cá no corredor, massagens na barriga, mais cólicas, mais choro, andar de lá para cá no corredor, Aero-OM, massagens na barriga, mais choro, etc. e tal, em loop. O sossego só chegou por volta das três da manhã, por KO técnico (também conhecido por sono após exaustão física). Resumindo: a gargalhadinha maravilhosa custou-nos a primeira verdadeira noite difícil da Alice. Deve ser isto, a tal lei das compensações.
Se há uma característica que define a Alice, agora que está prestes a completar três meses, é a facilidade com que sorri. Ou melhor, a facilidade com que sorri a qualquer pessoa que lhe surja pela frente. Não é preciso serem os pais, os avós ou os amigos mais chegados. Pode ser também a dona do café, a empregada do restaurante, o carteiro, a velhota que espreita embevecida para o marsúpio ou mesmo o funcionário da repartição de finanças, se acaso a levássemos connosco quando tratamos de questões fiscais. Em suma, a Alice ri para toda a gente, numa espécie de oferta democrática das suas habilidades pueris. E espalha uma espécie de felicidade colectiva pelas ruas do bairro, ao som de muitos «bilu-bilu-bilu» e muitos «que menina tão linda». Por isso, se daqui a vinte anos ela estiver com dificuldade em arranjar trabalho, já sei o que lhe hei-de propor: «Vai para Relações Públicas, filha, vai para Relações Públicas. Desde bebé que tens jeito para isso.»
Foram largos. Acabei um trabalho que arrastava há quase um mês; comprámos um carrinho de passeio; arrumámos a casa em família e às prestações; o bebé fez umas quantas birras e impediu o pai de ir a um debate público; fomos conhecer primas e um bocadinho do sonho delas; pai e filha viram um emocionante jogo de futebol enquanto a mãe deabulava por um hipermercado a ver se enchia a dispensa sem esvaziar a carteira. E, nos intervalos, a Alice fez muitas bolinhas de cuspo.
Não, não escapámos para as Maldivas ou para qualquer outro desses paraísos banais que enchem de um azul impossível (de tão claro) as montras das agências de viagens. Não, não fugimos do bairro lisboeta de onde se pode contemplar, visto de cima, o resto da cidade. De nada serve preocuparem-se com o nosso silêncio. O que aconteceu foi apenas isto: estivemos por casa em arrumações, comprámos um carrinho da Chicco (fácil de montar e não demasiado XPTO), passeámos todas as tardes, fomos ver o mar, conversámos com amigos, dormimos até tarde e reinventámos, com a Alice, o catálogo completo dos mimos. Ou seja, gozámos o melhor que pudemos uns quantos dias de férias que o Pai tinha de reserva (desde o ano passado). Conclusão: com tanto tempo livre, não houve tempo para quase nada que não fosse o gozo de estarmos assim, os três, a sermos três. O blogue ficou vazio? E depois, qual é o mal? O que por aqui vamos escrevendo é sempre a pontinha do iceberg, não é? Pois bem: o iceberg, esta semana, foi daqueles gigantescos que se desprendem da calote polar, com estrondo, lá para os lados da Antártida. E acho que não é preciso dizer mais nada.
[Aos leitores mais fiéis, deixo uma boa notícia: para compensar, esta semana será mais actualizada do que é costume, com muitas fotos recentes da Alice e tal]
No passado dia 27 de Abril, à hora do banho e depois de duas semanas em que demostrou um excelente domínio funcional do pescoço enquanto base de sustenção da cabeça, Alice M. F. D. S.* voltou-se sozinha, rolando sobre o lado direito do corpo e admirou-se por ficar, de repente, com a barriga voltada para cima. Registe-se.
* Leia o nome completo, quem o souber, que este é um blogue meio anónimo.
Se isto é um babyblogue, que diabo!, há que registar as descobertas da miúda. (Não vá apetecer-nos mais tarde recordá-las ou mesmo exibir os restos mortais do blogue e exemplificar com gestos, à frente dos amigos e possíveis namorados, durante a adolescência.) O próximo post inaugura uma série dedicada ao futuro e chama-se "Progressos".
Há um lado meu ainda muito adolescente que me faz achar graça a estes questionários. Em post tem mais piada e sempre polui menos as caixas de correio. Lembro-me do tempo em que passávamos as aulas a fazer jogos de nomes e números para ver quem seria o homem da nossa vida. O Pai da Alice nunca fez parte das listas, pode ser que o inclua nalguma destas que a Filipa me desafia a fazer a partir daqui. Adverte-se o leitor que assumo a minha incultura literária nas linhas abaixo.
Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Faz-me um bocadinho de confusão a ideia de ser um livro. O mais provável era querer ser "Madame Bovary" mas, hélas, ainda não o li. "Anna Karenina" será talvez o que mais se aproxima, só que anseio por um fim melhor. Pode ser que me lembre de outros, entretanto.
Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?
Já, várias vezes, quando era mais nova. A última de que lembro foi recentemente: Milene, de "O vento assobiando nas gruas", da Lídia Jorge. Não queria ser como ela, mas fiquei com muitas saudades quando tudo acabou. Gosto sobretudo do nome.
Qual foi o último livro que compraste?
Há muito tempo que não compro livros para mim. Tenho uma imensa biblioteca aqui em casa, que cresce todos os dias, ainda por cima com novidades - boas e más. O último livro que me lembro de ter comprado para oferecer foram "As notas de cozinha de Leonardo Da Vinci", mas perdi-o entre todos os outros antes do Natal e ainda não o encontrei. Comprei a colecção do Corto Maltese que saiu com o Público, a pensar no pós-parto, mas é facturado como revista e vende-se nos quiosques, não deve contar como livro.
Qual o último livro que leste?
Há muito tempo que não consigo ler um livro sem bonecos até ao fim. Li quase todas as novidades infantis que apareceram por alturas do Natal (destaque para "António e o Principezinho", de José Jorge Letria, e "Ynari, a menina das cinco tranças", de Ondjaki, com ilustrações da Danuta Wojciechowska) e o "Senhor Brecht", do Gonçalo M. Tavares. Depois da Alice ter nascido, consegui ler até ao fim a "Balada do Mar Salgado", "Dicionário por imagens dos bebés - Os bichinhos" e, da mesma colecção, "Os animais selvagens".
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Seguindo a sugestão do Jorge Palinhos, o "Manual do Escuteiro Mirim", dos sobrinhos do Pato Donald. Mais a sério, coisas que nunca li: "Madame Bovary", por exemplo. E um Dicionário da Língua Portuguesa (entre outras utilizações que não estou a ver agora, permite um jogo bem animado; mesmo que a ilha seja deserta, há-de dar para inventar amigos imaginários). O "Ulisses", do Joyce; a "Odisseia", na edição da Cotovia, traduzida por Frederico Lourenço e a busca do Proust, na tradução do Pedro Tamen, da Relógio d'Água, já são mais do que a conta, mas ficam sempre bem nestas listas (não me lembrei de outros, entretanto). Ah, levava também o próximo livro do José Mário Silva - como ainda não existe, pode caber aqui.
A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
Ao Pai da Alice, para ver onde me surpreende nas escolhas. Ao Pai da Maria, porque se responder, fa-lo-á com concisão. Ao Pastel de Nata porque me apetece ouvir gargalhadas pelas ruas da cidade. À Mãe da Piolha, porque gostei da lista que fez para o JL e queria muito que nos conhecêssemos as quatro ao vivo. E a todas estas pessoas porque não sei contar bem.
Passado um mês e pouco sobre o primeiro tête-a-tête, a Alice voltou a estar com o Gabriel. Desta vez de olhos abertos e com muitos sorrisos à mistura. It's the beginning of a beautiful friendship, como se diz num filme qualquer a preto e branco com o Humphrey Bogart e a Ingrid Bergman.