Deste lado do espelho

Alice já mora aqui [caixa do correio: pais_da_alice@yahoo.com]

sexta-feira, setembro 30, 2005

 

To be continued...

Não perca: mais imagens e textos sobre as férias, em rigoroso exclusivo, durante a próxima semana, no sítio do costume que não é o Pingo Doce.
 

O princípio da brincadeira



Alice e Gabriel sobre o terreno de jogos: a mítica manta dos Snoopys.
 

Coisas que a Alice experimentou pela primeira vez durante as férias:

- a textura da areia (na praia do Carvoeiro);
- as potencialidades lúdicas de um relvado que cercava a casa por todos os lados;
- a água aquecida pelo sol de uma piscina circular para crianças (40 centímetros de profundidade);
- o zumbido das melgas no quarto durante a noite e as marcas que esses insectos malignos conseguem deixar numa pele demasiado branca e suave;
- a arte de bem rastejar em todos os pisos (com a desenvoltura de um militar habituado a situações-limite);
- o problema logístico que nasce da partilha com outro bebé de uma manta cheia de brinquedos;
- a frustração do primeiro roubo de algo que julgamos que é nosso por direito divino (mesmo se esse algo é uma caixinha verde de plástico com furinhos);
- o alento darwinista da luta pela sobrevivência em meio hostil e perante rivais claramente mais bem adaptados à arte de gatinhar;
- a amizade que prevalece quando dois bebés aprendem a respeitar os respectivos espaços e gestos;
- a beleza dos fins de tarde com a luz muito inclinada e nuvens avermelhadas a anunciar bom tempo para o dia seguinte;
- as fraldas de natação com desenhos do Nemo;
- o gosto das bolachas esfareladas e cheias de cuspo;
- o Ben-U-Ron rabinho acima para lutar contra uma febre que durou menos de um dia;
- os biberons servidos num balde de gelo sem gelo (mas com água fria) como se fossem champanhe;
- e, mais importante que tudo o resto, a alegria imensa de ter os pais por perto, sempre, sempre, sempre, disponíveis para miminhos e brincadeiras, libertos dos constrangimentos da vida quotidiana e dos horários laborais.
 

O cenário



Entre Ferragudo e Lagoa, perto de Sesmarias, vivemos dias felizes. E ficámos com vontade de regressar.
 

Duas coisas que é preciso dizer sobre o Algarve

1) o Algarve na segunda metade de Setembro é muito mais barato do que o Algarve em Agosto.

2) o Algarve na segunda metade de Setembro é muito melhor do que o Algarve em Agosto.
 

O regresso prometido depois do regresso falhado

Ok, afinal não foi só uma semaninha, mas quase duas.
As nossas desculpas pela ausência inusitada. Importa contudo esclarecer que as férias propriamente ditas limitaram-se mesmo à tal semana redonda. O resto foi o somatório da tradicional ressaca pós-dolce far niente com a vertigem dos mil afazeres à chegada e também, admitamos a verdade, com uma certa inércia blogosférica que nos tolheu, durante vários dias, os dedos sobre o teclado.
Enfim, a crise parece que passou e vamos pôr a escrita em ordem nos próximos dias, embora devagarinho que é para não danificar neurónios (os nossos) ainda a sair dessa espécie de estado vegetativo que é a vida off-line.

sábado, setembro 17, 2005

 

Vamos ali e já voltamos

É só uma semaninha.
No regresso, prometemos muitas histórias e fotos.
 

Férias? Bahhh!

Ir depois de toda a gente, e sobretudo depois de uma correria mais louca que o chá do chapeleiro e restante companhia, parece mais do que um sonho, um pesadelo. Bom, bom, era dormir durante cem anos. Ao menos não era preciso fazer malas.

quinta-feira, setembro 15, 2005

 

Piropo

Há posts aqui, escritos em caixa baixa, que piscam o olho (e assobiam duplamente) a outro blogue. Não é defeito do capslock, é sedução doméstica.
 

Associação de ideias

"Delacroix" lembra-me "lilac wine",
"lilac wine" lembra-me "Jeff Buckley",
"Jeff Buckley" lembra-me "viagem em estrada",
"viagem em estrada" lembra-me férias.

Férias lembra-me trabalho. Muito trabalho.
 

um tributo à liberdade por delacroix


 

Contagem final

Conto os dias para as férias, conto os segundos para a entrega dos três últimos trabalhos.

terça-feira, setembro 13, 2005

 

Um gnomo na cidade (2)


 

Literatura sobre a gravidez (6)

Falara com o abade, mal sentira os primeiros sintomas da prenhez. Ele resgatara a alma da criança, tanto mais que a mulher se arrependera no exacto momento de pecar.
― Lá o senhor abade é que quer ser o padrinho do menino. Vai chamar-se Moisés e há-de ir para padre.
Falava com o marido à luz da vela e mesmo assim viu-lhe o pescoço avermelhado, como se um pensamento o estrangulasse. O abade ia levar-lhe o primogénito. Porém, o homem fora educado para aceitar os roubos do Senhor. Só perguntou:
― E se não for rapaz?
― É rapaz, sim.


Hélia Correia, Bastardia, Relógio d'Água, 2005

segunda-feira, setembro 12, 2005

 

Um gnomo na cidade


domingo, setembro 11, 2005

 

Estou a ser substituída


 

Bad things & good things

Hoje faz quatro anos que, mas também faz sete meses que.

sábado, setembro 10, 2005

 

Só falta uma semana



As férias, as merecidas férias, já estão marcadas na agenda (dia 17) e até no Google Earth.
 

Petits noms

Gurki-gurki. Ver o que se disse a propósito de Tiqui-tiqui.
 

Inesperada

Agosto foi um mês difícil. O calor, as imprevisíveis sestas curtas, as expedições em alegre rastinhanço pela casa toda. Resultado: uma pilha de trabalhos por entregar, uma mãe a precisar de férias. Percebemos que ia ser um ano profissional quase perdido, o que começa nesta rentreé, quando tocou o telefone. Era a Alice muito pequena e escolhemos uma escola para ela, não fosse a falta de vaga condicionar a nossa decisão. É um edifício antigo, como a escola onde andei dez anos, as paredes são brancas, o pé-direito altíssimo, pelos corredores ouvem-se as cantigas cá de casa, todos os que vestem bata são simpáticos e parecem felizes (pequenos e grandes). Visitámos a escola toda algures em Março, com a Alice no marsúpio e a mãe do Gonçalo ao lado, espreitámos a cozinha, a sala de reuniões, o pátio com a laranjeira e todas as casas-de-banho. Depois, pensámos que ainda não era preciso, que eu conseguiria trabalhar o suficiente nos intervalos dos sonos, e desistimos de esperar pelo telefonema. Estávamos a meio de uma sopa de alho francês quando o telefone fixo tocou, atendi-o só porque o número remetente me deixou curiosa. Era por causa da vaga, um lugar inteirinho para a Alice na escola bonita, porque outro menino desistiu e esta mãe respondeu à chamada. Começamos em outubro, depois da E., depois da piolha. Entretanto vamos de férias e vamo-nos mentalizando. Entretanto vamos marcando a roupa e alguém há-de escrever o nome da Alice por cima de um cabide, na porta da sala, junto ao cacifo. Ter um filho é uma escolha demasiado fácil para todas as difíceis opções que se escondem debaixo destes enormes olhos.

sexta-feira, setembro 09, 2005

 

Fim anunciado de uma rubrica estival

Não é só por uma questão estética. É também por uma questão de esgotamento temático. Por muitas voltas e eufemismos que usássemos, os boletins escatológicos acabariam sempre por tender, como certos programas de TV, certos políticos e certos casamentos, para a monotonia.
E neste blogue, enquanto depender de nós, monotonia não entra, não.

quinta-feira, setembro 08, 2005

 

Anda ali, bebé

No próximo sábado, pelas 16 horas, a Alice vai assistir ao seu primeiro espectáculo musical.



(Mais informações aqui.)
 

Há pessoas cujos nomes se adequam espantosamente às respectivas profissões

Por exemplo: daqui a pouco vamos buscar mobília a uma casa com mordomo. E o mordomo chama-se Amável. Senhor Amável. Já para não falar daquela vez em que descobri, salvo erro no Seixal, um consultório médico em que o dentista se chamava Carranca. Doutor Carranca.
 

Petits noms

Cidadã Alice. Com pais assumidamente republicanos e laicos, do que é que estavam à espera?
 

Boletim escatológico*

Tudo como deve ser, normalíssimo, vulgar de Lineu.

* uma rubrica da silly season, especialmente dedicada às avós.

quarta-feira, setembro 07, 2005

 

Ensopada



Ensopada = cheia de sopa.

terça-feira, setembro 06, 2005

 

Afinal há (insólitas) coincidências

Maria do Rosário Pedreira e Margarida Rebelo Pinto partilham iniciais.
 

a mariage made in blogger

um ano depois, por causa de um post, despejou-lhe uma caneca de leite sobre a camisa branca.
 

Segredos

Não digam a ninguém, mas uma das minhas melhores amigas está grávida.

segunda-feira, setembro 05, 2005

 

O tio Manel já chegou

De avião, com a tia Miryam.



Na bagagem: saudades da sobrinha (e do resto da família), mimos, brincadeiras.

domingo, setembro 04, 2005

 

Literatura sobre a gravidez (5)

DIÁRIO DE BORDO

Mãe
Hoje abriu-se uma janela pela primeira vez
Mas tudo o que pudeste ver foi um pequeno lago de águas adormecidas,
rodeado por margens de areia brilhante
Um pequeno lago alimentado por inúmeros afluentes

Mãe
Passou uma semana e o meu minúsculo coração agita já as águas desse lago
Estou agarrado à margem vejo ao longe uma pequena bóia
mas o medo impede-me de me afastar

Mãe
Porque é que andas tão enjoada?
Passas a vida a correr para o quarto de banho
Não toleras o cheiro a fritos nem o after-shave do pai
Espero que não enjoes do cheiro a jasmim

Por favor não me confundam com um girino
Embora não tenha nada contra as rãs
E muito menos contra as libélulas que povoam os outros lagos

Mãe
Estou a ficar velho
Disseram-me que já deixei de ser embrião
Mediram-me a espessura da nuca
E eu aproveitei para realizar algumas pequenas acrobacias

Hoje fiquei finalmente a saber que tinha ventrículos pulmões
estômago e uma série de coisas mais
Incluindo uns grandes lábios que quase pareciam bolsas escrotais
E eu que pensava que aquilo que tinha entre as pernas era uma rosa

Mãe
Porque é que o meu coração bate tão acelerado?
Por mais que tente não consigo sincronizá-lo com o teu

Mãe
Só conheço a cor do crepúsculo
Estou morto por conhecer as outras cores do arco-íris

Mãe
Hoje surpreendi-te
Quando te olhavas nua ao espelho
As mãos sobre o púbis segurando a barriga enorme

Mãe
Às vezes os dias são um pouco monótonos
De forma que me entretive a fazer nós com o cordão umbilical

Mãe
Estás com umas olheiras enormes
Pelos vistos não te deixei dormir
Passei a noite toda a deambular pelos recantos mais sinuosos do teu útero
A ver se descobria alguma água-marinha

Mãe
Podias ter colocado alguns peixinhos no líquido amniótico
Já agora um beta e alguns escalares
E porque não alguns nenúfares?

Mãe
Apetecia-me uma bebida diferente
Que não a minha dose diária de urina

Mãe
Esta noite tive um pesadelo horrível
Sonhei que te tinham cortado os mamilos
Com uma lâmina de bisturi

Mãe
Apetecia-me chorar
Mas é difícil chorar assim debaixo de água

Mãe
O que está a acontecer?
O teu útero começou a contrair-se
E as contracções vão-se tornando cada vez mais frequentes

Mãe
O que é que eu fiz
Para me expulsares desta maneira?

Mãe
A distância entre mim e ti
Não se mede em centímetros mas em lilases


Jorge Sousa Braga, A Ferida Aberta, Assírio & Alvim

sábado, setembro 03, 2005

 

Resumo de um casamento

Os noivos casaram-se, o padre disse o que seria de esperar, houve pessoas bem vestidas, outras nem tanto, calor, arroz à saída da igreja, carros em grande velocidade na auto-estrada, uma quinta demasiado quente, comida, comida, comida, moscas, moscas, moscas, amigos em conversa, mesas com nomes de filmes, brindes, crianças de colo e um grupo muito giro, com bombo, gaita-de-foles e melodias com travo a Galiza.
Tudo o que os casamentos costumam ter, este teve.
Mas eu só me lembro bem daqueles minutos em que dancei pela primeira vez, sozinho em frente aos músicos, com a minha filha.
 

Botão

Na Alice, o botão do riso fica na barriga. E aperta-se com beijinhos.

sexta-feira, setembro 02, 2005

 

Mais um salto na evolução para o bipedismo


 

Primeiros diálogos

Pai da Alice - Dá-dá?
Alice - [Silêncio. Som de roca de plástico a bater, com um ritmo certo, noutro brinquedo de plástico.]
Pai da Alice - Dá-dá-dá?
Alice - [Silêncio. Som de roca de plástico a bater, com um ritmo certo, noutro brinquedo de plástico.]
Pai da Alice - Dá-dá-dá-dá?
Alice - [Silêncio. Som de roca de plástico a bater, com um ritmo certo, noutro brinquedo de plástico.]
Pai da Alice - Ok, hoje não dá.
 

Petits noms

Tiqui-tiqui. Não perguntem porquê. Nós também não sabemos.
 

En attendant lundi




Faltam três dias para a chegada do tio Manel (+ Miryam), a parte "francesa" da família que não vê a sobrinha desde um longínquo dia de Fevereiro, quando ela não tinha mais do que umas duas semanas de vida.
Aleluia, aleluia, aleluia.
Vai ser bonito o reencontro, pá.

quinta-feira, setembro 01, 2005

 

Vantagens pós-gravidez

... podem existir, algures no armário, se alguma vez a pessoa em causa vestiu dois números acima e se não gosta de deitar roupa fora.
 

Petits noms

Mamífera. A biologia explica tudo.
 

Arrumações

Aqui em casa preparamo-nos para a chegada dos tios, contamos os segundos para o babysitting residente. Vai ser bom fazer uma sopa sem ter que me baixar a cada rodela de cenoura para apanhar uma tampa de tupperware.

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