Alice já mora aqui [caixa do correio: pais_da_alice@yahoo.com]
Quando espreitei o meu favorito dos
sites que adivinham o futuro (a par
deste e
deste), reparei que a descida da temperatura se acentuava no domingo ao lado do ícone da nuvem. Não pensei que fosse nevar, mas foi o suficiente para ligar todos os aquecedores da casa, abrir as portas para espalhar o calor e agendar um dia de trabalho, chá e mantas. Aconteceu-nos sair à hora do almoço para apanhar um envelope urgente, chegado do Porto à Gare do Oriente e arriscarmos tentar comer no shopping em frente. Aconteceu-nos que o restaurante escolhido tivesse janelas e que pudéssemos ver a neve com o pavilhão atlântico ao fundo. Também nos aconteceu não termos máquina fotográfica, mas para estas coisas a memória funciona bem e a neve voltou quando já estavamos em casa e pudemos registá-la para a posteridade em pequenos filmes (já que nas fotografias não é evidente). O que eu acho espantoso não é só que tenha nevado em Lisboa, cumprindo-se finalmente os vaticínios diários do pai da Alice (
«isto hoje vai nevar», dia-sim, dia-não, desde que estejam menos de 15º Celsius). O que eu acho espantoso é que tenha nevado num domingo, entre as três e as quatro da tarde ou coisa que o valha. Se fosse de madrugada, ninguém veria. Se fosse a um dia de semana, a probabilidade de tantas pessoas repararem seria menor (mesmo que os avisos circulassem por telemóvel, como circularam, aliás, saturando o ar por onde caíam os flocos gelados). São inesperadas conjugações deste tipo que me enchem de uma alegria infantil. E que contagiam a verdadeira infanta cá de casa.