Alice já mora aqui [caixa do correio: pais_da_alice@yahoo.com]
Atiras o relógio pela janela, com
raiva, uma trajectória que acaba
no pequeno pátio onde os gatos
brincam com as sombras. Dizes
regresso, navio, Ulisses, palavras
contra a ideia do tempo que passa
por nós assim, quinze andares a
pique e depois nada. Eu olho as
nuvens lá no alto, distantes, são
as mesmas que os gregos viam,
igual brancura e lentidão; os gatos
escondem os ponteiros inúteis, tu
perguntas algo que não entendo,
algo sobre a importância do mar
quando uma cidade nos espera.Para a Rute, que esteve connosco ontem e em tantos outros dias, a partilhar nuvens e bocadinhos de bolo -
o poema está na contra-capa de Nuvens & Labirintos, de José Mário Silva, publicado pela Gótica em 2001 (dois mil e um e depois nada).